
A fusão Forvis Mazars reconfigurou o mercado de auditoria e consultoria. O novo conjunto não atua mais na categoria dos mid-tiers clássicos, mas também não possui a cobertura setorial sistemática das Big 4. Esse posicionamento intermediário cria arbitragens concretas sobre as missões, as trajetórias e a própria natureza do trabalho diário.
Forvis Mazars: o que a fusão muda no escopo das missões
Antes da fusão, a Mazars cobria a auditoria legal, a consultoria fiscal e uma parte dos serviços de transação com equipes de tamanho moderado. A associação com a Forvis ampliou o escopo para a auditoria tecnológica e os serviços relacionados à cibersegurança, dois segmentos onde as Big 4 concentravam a oferta.
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Observamos que a Forvis Mazars agora estrutura missões mistas de auditoria-IT que não existiam na antiga organização. Para um colaborador, isso significa uma exposição a questões de sistemas de informação desde os primeiros anos, onde um escritório mid-tier tradicional limita os juniores à auditoria financeira pura.
Esse ponto merece atenção se você está buscando um critério objetivo de comparação entre Mazars e as Big 4: a natureza dos mandatos acessíveis antes do grau de gerente evoluiu significativamente na Forvis Mazars desde a fusão.
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Por outro lado, nos mandatos de auditoria das empresas do CAC 40, a presença permanece limitada. As Big 4 mantêm quase todos os mandatos sobre os maiores grupos listados, o que não mudou com a fusão.

Rotação de pessoal em auditoria: um indicador de carreira subestimado
A rotatividade em escritórios de auditoria é frequentemente apresentada como um mal necessário. Recomendamos analisá-la de outra forma: é um indicador direto da duração real durante a qual você acumulará competências em um mesmo portfólio de clientes.
Nas Big 4, a alta rotatividade das equipes juniores implica uma renovação frequente dos intervenientes nos processos. O colaborador que permanece três anos adquire um conhecimento setorial profundo, mas muitas vezes se vê sozinho para aplicá-lo em sua equipe.
Na Forvis Mazars, as equipes mais estáveis permitem uma transferência de competências mais fluida entre os graus. A contrapartida: a progressão para o grau de gerente às vezes leva mais tempo, devido à falta de postos liberados por saídas.
O que a rotatividade revela sobre a estratégia de RH
Um escritório que recruta massivamente a cada ano e perde metade de sua promoção em dois anos opera em um modelo de pirâmide. As Big 4 assumem esse modelo: ele alimenta um grupo de ex-alunos nas direções financeiras, o que gera, em seguida, mandatos.
A Forvis Mazars ainda não atingiu o tamanho crítico para obter o mesmo benefício de sua rede de ex-alunos. A escolha entre os dois depende, portanto, também do seu horizonte: permanecer em um escritório ou mudar para uma empresa.
Competências desenvolvidas em serviços de transação: diferenças concretas
Os serviços de transação (due diligence financeira, modelagem, assistência ao vendedor) constituem um dos segmentos onde a diferença de experiência é mais acentuada entre a Forvis Mazars e as Big 4.
- Na Deloitte, EY ou KPMG, as equipes de TS intervêm em operações de grande escala com contrapartes internacionais, o que expõe os colaboradores a múltiplos referenciais (IFRS, US GAAP) desde as primeiras missões.
- Na PwC, a especialização setorial em TS (farmacêutico, energia, tecnologia) permite desenvolver uma expertise vertical procurada pelos fundos de investimento.
- Na Forvis Mazars, os mandatos de TS focam mais no segmento mid-market, com negócios de tamanho intermediário onde o colaborador gerencia uma parte maior do processo, da data room à entrega ao cliente.
Um júnior em TS na Forvis Mazars frequentemente redige o relatório completo, enquanto seu homólogo nas Big 4 assume uma seção específica de um relatório redigido em conjunto. As duas experiências são formativas, mas não desenvolvem os mesmos reflexos.

Impacto da automação nas trajetórias em auditoria e consultoria
A integração da IA generativa nos processos de auditoria transforma o cotidiano dos escritórios. As Big 4 investem massivamente em plataformas proprietárias de análise de dados e detecção de anomalias. Essas ferramentas reduzem o volume de trabalho repetitivo nas missões de auditoria legal.
Para um colaborador, isso significa que as tarefas de controle manuais desaparecem em favor de um papel de analista e supervisor de algoritmos. A competência esperada evolui para a literacia de dados e a capacidade de interpretar resultados automatizados.
A Forvis Mazars iniciou sua própria transformação digital, mas com recursos proporcionais ao seu tamanho. A implementação de ferramentas de automação é mais gradual. Observamos que os colaboradores mantêm uma exposição mais longa aos trabalhos de campo clássicos, o que pode ser uma vantagem para aqueles que desejam dominar os fundamentos antes de migrar para funções voltadas para a tecnologia.
Qual perfil para qual escritório em 2025
A escolha não se resume a uma questão de prestígio ou remuneração. Ela envolve um tipo de desenvolvimento profissional distinto:
- Se você busca uma especialização setorial específica e uma rede internacional de ex-alunos, as Big 4 continuam sendo a escolha lógica.
- Se você procura uma ampla exposição às missões desde os primeiros anos, com uma autonomia mais rápida nos processos, a Forvis Mazars oferece um ambiente adequado.
- Se a auditoria tecnológica e os serviços de cibersegurança lhe interessam, verifique o tamanho da equipe dedicada no escritório que o recruta, independentemente do escritório.
A marca no currículo ainda conta em alguns setores, especialmente para acessar as direções financeiras de grandes grupos. Uma passagem pelas Big 4 continua sendo um sinal forte para os recrutadores do CAC 40. Para o mid-market e os fundos de private equity, o sinal da Forvis Mazars ganha visibilidade desde a fusão.
A escolha certa em 2025 depende menos do ranking dos escritórios e mais da adequação entre seu projeto profissional para os próximos três anos e a realidade operacional do escritório que o recruta.